BREVE HISTÓRICO
DO ACERVO DO "CLUBE TEATRAL ARTUR AZEVEDO"
DE SÃO JOÃO DEL-REI
Fundado em 1905, inicialmente o "Clube Teatral
Artur Azevedo" tinha o nome de Grupo Dramático
Infantil 15 de Novembro, e foi apenas em 1915
que adotou o nome que homenageia o comediógrafo
maranhense. Em 1928, quando de uma reorganização
do Clube, houve uma nova alteração
e o Clube Dramático Artur Azevedo passou
a se chamar "Clube Teatral Artur Azevedo".
Apesar de o Clube ter encerrado suas atividades
na década de 70, o Grupo de Pesquisas em
Artes Cênicas da UFSJ (GPAC) considera a
data de 1985 como a do encerramento de suas atividades
porque foi no referido ano que sua sede foi vendida
e transformada em supermercado.
Esse "Clube Teatral" teve importância
tão grande na história da cidade
que construiu, através de doações,
sua sede própria: um teatro de dimensão
bastante significativa (1.000 lugares), com uma
biblioteca de, aproximadamente, 8.000 volumes
sobre os mais variados assuntos, desde contabilidade
e geografia até literatura e teatro.
Em 1992, convidada para criar e desenvolver um
trabalho de pesquisa teatral junto à UFSJ
(à época FUNREI), a Profa Dra. Beti
Rabetti (Maria de Lourdes Rabetti) criou o GPAC
e, a partir de então, a instituição
negociou a transferência do material disponível
para um espaço onde pudesse ser organizado
e catalogado, e posteriormente aberto ao público.
Assim, desde 1992, o Acervo do Clube Teatral Artur
Azevedo passou a estar sob a guarda da UFSJ.
O Acervo recebeu tratamento técnico, tendo
sido criada uma base de dados com informações
bibliográficas gerais sobre os livros.
Esse trabalho foi realizado sob a supervisão
das bibliotecárias Verônica Lordello,
Arlete Dias e Mara Souto.
Em 1994, o Grupo de Pesquisas em Artes Cênicas
da UFSJ, ainda sob a coordenação
de Beti Rabetti, deu início ao processo
de criação de uma base de dados
para peças teatrais pertencentes ao referido
Acervo. Ressalte-se que o mesmo possui aproximadamente
cento e vinte textos manuscritos e/ou datilografados,
com numerosos vestígios de montagem, o
que nos permite afirmar a importância dessa
documentação para os estudos do
teatro brasileiro nas últimas décadas
do século XIX e nas cinco primeiras décadas
do século XX. Há peças de
Pinheiro Chagas, Gastão Tojeiro, Armando
Gonzaga, Sousa Bastos, Artur Azevedo, Paulo de
Magalhães, Eduardo Garrido etc. Há
libretos de revistas da companhia de Pascoal Segreto
e peças que foram utilizadas por companhias
como: Zapparolli e Circo Teatro Dudu, além
dos textos escritos e encenados por amadores locais.
Através de convênio com a FUNARTE,
a profa. Lena Vânia Pinheiro (CNPq/IBICT)
fez uma visita ao Acervo e iniciou-se a elaboração
da planilha. Participaram desse processo, a profª
Beti Rabetti, o prof. Alberto Tibaji, a profª
Lena Vânia Pinheiro e o então diretor
da Divisão de Biblioteca da Universidade,
Pe. Ilário Zandonade. Os campos da planilha
foram pensados para que se pudesse recuperar informações
bibliográficas comuns como autor, título,
editora — no caso de material impresso —,
mas sobretudo para que se pudesse recuperar os
dados sobre as representações, que
freqüentemente podem ser encontrados nos
textos. As duas bases de dados foram criadas por
Paulo César Santos.
O exemplo da peça O mártir do calvário
de Eduardo Garrido (MFN atual nº6) mostra
o aproveitamento do trabalho de antigos bolsistas
de Iniciação Científica (PIBIC),
no preenchimento do campo "Representações".
No caso dessa peça, temos apenas as informações
referentes a suas montagens em São João
del-Rei. Temos os nomes dos atores amadores e
de seus personagens, podendo recuperar qualquer
uma das informações. No segundo
exemplo, A tomada da bastilha (MFN atual nº10),
temos informações referentes às
datas e aos locais das representações,
mas todas constam do próprio documento.
Aqui também pode-se observar o campo que
denominamos "Descrição física":
estamos lidando com um manuscrito. No último
exemplo (MFN atual nº247), podemos identificar
outro tipo de informação, no caso
para pessoas que estejam buscando textos para
serem montados: número de personagens masculinos
e femininos, teatro adulto, infantil ou de bonecos,
gênero etc.
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