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O Laboratório de Conservação e Pesquisa Documental
Dentre os projetos desenvolvidos nas áreas
de recuperação e conservação
preventiva de acervos um dos mais significativos
consistiu na criação do Laboratório de Conservação e Pesquisa Documental – LABDOC 1
.

Atualmente
o Laboratório encontra-se em fase de expansão
de suas atividades. Para tanto conta com um funcionário
técnico responsável pelas atividades
de conservação e restauração,
além de bolsistas de diferentes modalidades
que atuam nos projetos desenvolvidos pelo LABDOC.
É importante frisar a relevância
de um laboratório de restauração
e conservação para a preservação
do patrimônio documental regional. Operando
em rede com outras instituições
do estado e multiplicando recursos e iniciativas
que visem a conservação das fontes
documentais da nossa história, o LABDOC
representa um importante avanço no desenvolvimento
de uma política preservacionista a ser
desenvolvida pelas instituições
afins.

Os projetos do Laboratório são
desenvolvidos em duas frentes: procedimentos de
identificação, conservação
e restauração dos documentos, sua
organização, indexação
e colocação em banco de dados do
conteúdo informacional.

Na primeira fase são desenvolvidas
as seguintes etapas:
1.1
- Controle entomológico: a desinfestação
de toda a documentação pelo método
de congelamento profundo vem sendo aplicado recentemente,
com sucesso, por importantes instituições
responsáveis pela guarda e conservação
de livros e documentos no país, tais como
o Arquivo Nacional e o Arquivo Público
Mineiro. Consiste em proceder ao congelamento
dos documentos em um freezer por um período
não inferior a quinze dias, acondicionando-os
em sacos plásticos devidamente vedados
e tendo o ar retirado do seu interior por meio
de um aspirador de pó. Após este
período o freezer é desligado e
a documentação é retirada
quando a temperatura atingir o mesmo nível
da temperatura ambiente.
1.2 - Higienização:
consiste na limpeza mecânica de todas as
folhas, uma após a outra por meio de trinchas
macias, visando à retirada de toda a sujidade
presente na superfície do papel e de extrair
todos os corpos estranhos ao documento que aceleram
seu processo de degradação (clipes,
grampos etc...) É importante também
planificar possíveis dobras, orelhas, constantes
nos documentos.
1.3 - Diagnóstico de conservação
preventiva: é feito através
de uma ficha de diagnóstico aplicada a
cada documento e que indica suas especificações:
o tipo documental (se tratasse de um processo-crime,
por exemplo), as características do suporte
(do papel), a técnica utilizada na sua
montagem / encadernação, a tinta
empregada, seu estado de conservação
as principais deteriorações sofridas
e as recomendações para o tratamento
técnico de conservação.
1.4 - Tratamento técnico de conservação:
envolve basicamente pequenos reparos, acondicionamento
e a restauração propriamente dita,
sendo que: a) os pequenos reparos visam intervir
em rasgos, através de velatura, utilizando-se
papel japonês; torna-se necessário,
em caso de documentos encadernados e/ou livros,
providenciar nova costura e a reestruturação
física do documento; b) o acondicionamento
consiste em envolver os documentos em invólucros
de material inerte, ou alcalino; c) a restauração
de documentos, com suporte em papel, consiste
em reenfibrar papel nos locais onde há
buracos.
Na fase de organização propriamente
dita, são seguidos os seguintes passos:
2.1 – Identificação
do acervo: a documentação
é identificada para a organização
nos diversos fundos, séries e sub séries.
É necessária a identificação
da proveniência da documentação,
ou seja, definir-se que termo ou que cartório
foi responsável pela sua produção.

2.2 – Arranjo: após
a identificação, os documentos são
agrupados em fundos, séries e sub-séries,
obedecida a proveniência e tentando-se recuperar
o arranjo original. Dentro de cada série
ou sub-série os processos são ordenados
cronologicamente.
2.3 – Descrição:
passa-se à análise e descrição
dos documentos. São levantados dados como:
tipo de processo, datas, local de origem, pessoas
envolvidas, número de páginas etc.
2.4 – Indexação:
é desenhado um banco de dados
onde estarão armazenados os dados obtidos
através da análise e descrição
dos documentos, o que permite a recuperação
das informações contidas nesses
processos.

Durante todo o processo, desde a entrada do acervo
no LABDOC até sua liberação
para a guarda permanente, o controle ambiental
e de pragas é uma preocupação
constante. O espaço físico do LABDOC
é dividido em quatro unidades: o setor
de recepção, onde os documentos
passam pelos procedimentos de higienização
e diagnóstico e ficam aguardando o tratamento;
o laboratório de conservação
e restauração, no qual são
realizados os procedimentos técnicos de
conservação e restauração;
o setor de guarda de documentos tratados, onde
se processa a organização e descrição
dos documentos - com vistorias periódicas
para verificação de ocorrências
de reinfestação de insetos - após
o que são liberados para o local de guarda
permanente; o setor de pesquisa e informática,
no qual são criados os bancos de dados
e indexados os conteúdos informacionais
da documentação. Podendo aí
também ser realizado projeto para microfilmagem
e digitalização de acervos.

As atividades contínuas do LABDOC já
oferecem condições de treinamento
e aperfeiçoamento de mão de obra
nos procedimentos de conservação
preventiva e restauração de papéis.
Temos promovido cursos ministrados por técnicos
de instituições reconhecidas nacionalmente
e oferecemos condições de treinamento
permanente a jovens alunos, através das
bolsas de atividade, que se tornam aptos para
multiplicar as atividades nessa direção.
Saiba mais sobre o LABDOC
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